A Indicação de Procedência (IP) GOIABEIRAS é a primeira Indicação Geográfica capixaba e a segunda Indicação Geográfica (IG) brasileira na área do artesanato, concedida pelo INPI à Associação das Paneleiras de Goiabeiras, no dia 4 de setembro de 2011 – publicada na RPI 2126. A Indicação protege e promove a PANELA DE BARRO e a herança histórico-cultural capixaba. A IG soma-se ao conhecimento pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) do ofício das paneleiras como primeiro patrimônio imaterial brasileiro.
Retirada do barro
O barro do Vale do Mulembá, situado em Vitória (ES), é a matéria-prima essencial e exclusiva para a fabricação das tradicionais panelas de barro de Goiabeiras, com mais de 400 anos de história. A extração é um trabalho artesanal e comunitário, realizado em uma área de preservação ambiental de 143 hectares.
Escolha e limpeza do barro
A extração é realizada por “tiradores de barro” em um processo manual e, antes de chegar às paneleiras, passa por uma “escolha” para remover raízes, folhas e pedras, sendo amassado para retirar o ar e criar liga.
Coleta da casca do mangue-vermelho
É da casca do mangue-vermelho que se extrai o tanino, uma tintura natural usada para selar o barro, que garante a impermeabilização e durabilidade, além de conferir a cor marrom escura, característica das panelas de barro. Os “casqueiros” realizam a coleta no manguezal.


Confecção da tintura do tanino
A extração do tanino da casca do mangue-vermelho é feita pelas paneleiras. As cascas são batidas ou maceradas e, em seguida, fervidas em água para extrair o suco denso e escuro (o tanino). A aplicação acontece imediatamente após a queima da panela.
Modelagem
As panelas de Barro de Goiabeiras são fabricadas através de um processo 100% artesanal, sem uso de tornos ou moldes. Este saber de origem indígena é transmitido por gerações, há séculos.

Puxada
Começa-se com uma bola de barro, que é “puxada” e moldada manualmente para cima, definindo o formato da panela em movimentos circulares e verticais.

Aplicação das orelhas e alças da tampa
É pelas orelhas e alças que as paneleiras dão o toque pessoal em seu trabalho. É por estes detalhes que se receonhece “da mão de quem“, como se diz em Goiabeiras, é cada panela.
Modelagem do fundo
Na modelagem do fundo, a panela é retirada da tábua e virada; o fundo chato é arredondado pela remoção dos excessos com o arco; a superfície externa é alisada com a faca, utilizada na limpeza e acabamento da peça.
Alisamento
As panelas e as tampas, depois de secas e antes da queima, são polidas pelo atrito de seixos rolados (pedra de rio) interna e externamente.
Queima
As panelas secas são dispostas a céu aberto, emborcadas e apoiadas umas nas outras em uma “cama” de ripas e tábuas de madeira (sobras de construção) e cobertas com lenha seca. A fogueira atinge em torno de 600ºC, sendo mantida por aproximadamente 30 minutos, variando conforme o tamanho das panelas.
Açoite
Esta é a fase da impermeabilização e pigmentação da panela com a tintura de tanino, tirada da casca do mangue-vermelho, aplicada com a vassourinha de muxinga sobre as peças em brasa, assim que retiradas do fogo. O banho de tanino confere às panelas de Goiabeiras sua coloração preta característica, além de agir como selante.






