Associação Cultural
Chegou o Que Faltava
Samba enredo 2025
Da Lama Sai Muito Barulho
Composição: Junior Fionda
Intérprete: Igor Vianna
O samba oficial destaca a região de Grande Goiabeiras e elementos como a ancestralidade, as benzedeiras, o manguezal e a força da comunidade local.
Ô yín nàná yò eu sou o mangue
Ô yín nàná yò raiz do meu sangue
Batuque de congo, axé de tambor
De Goiabeiras o povo do samba chegou
(Ah, mas chegou)
O que faltava quando tudo era nada
Oxalá foi a estrada e a Senhora anciã
Saluba nanã fez da lama seu ofício
Rege fim e o princípio
É memória ancestral do manguezal
O sal do corpo encontra a doçura
Onde repousam fé e cultura
Submerso ventre maternal
Pescador partiu pro mar
Na vazante o catador
Quem me cura é benzedeira
Onde a fé perpetuou
Das cantadeiras de roda a voz da lição
Som que emerge no meu pedaço de chão
Tira a canga do boi
Que griô é a estrela, menina
Tira a canga do boi
Salve preto Benedito que abençoa meu Barreiro
Vou louvar Sebastião todo vinte de janeiro
São Reis por Rainhas da vida
No vale da lida, nas mãos mulembá
Da lama transcende a chama!
Na cuia que abriga o dom de moldar
De Mães e filhas, eterna essência
São paneleiras a herança em resistência
Nasci… da fogueira dessa gente
De chão nobre, imponente
Preta forma de amor
Nos toques que ampliam meu barulho
Minha escola, meu orgulho
Evoca à vitória em seu louvor menos
G.R.E.S.
Inocentes de Belford Roxo
Samba enredo 2023
Mulheres de Barro
Composição: Cláudio Russo, Júnior Fionda, Fadico, Lequinho, Hugo Bruno, Leandro Thomaz e Altamiro
Intérprete: Thiago Britto
A escola homenageou as paneleiras de Goiabeiras, em Vitória (ES), celebrando a tradição artesanal feminina, ancestralidade e a cultura capixaba. Uma comitiva de paneleiras de Goiabeiras desfilou na Marquês de Sapucaí, em uma ala especial criada pela escola.
Eu preciso falar de um Brasil, ôô ôô
Que aprendi a moldar com as mãos, ôô ôô
Que me deu matéria prima
Pra compor além da rima
A senhora perfeição
Essa arte genuína
É herança feminina
Por talentos naturais
Tem o sopro de Tupã
Que conduz a artesã
Ao saber dos ancestrais
É no barreiro no Vale do Mulembá
Que a mão preta se encontra com o chão
Barro sagrado que veio de lá
Que ganha a forma de vida em transformação
É no fogo! É na fogueira!
Na panela ou na moringa
Que a velha paneleira
Vai batendo a muxinga
Face do conhecimento
Que partilha o saber
É feita de mãe para filha
Ensinar e aprender
Oh moça, isso é coisa de família
A esperança na argila
Modelando este país
Meu pranto é um cortejo que desfila
Em cada canto, a minha raiz
Em fevereiro, ou em janeiro ao sexto dia
Visto a suja fantasia
Pra erguer minha bandeira
Tambor de Congo
Cantar de quilombo
A resistência é a voz da paneleira
É na renda! É na palha!
O retrato de um Brasil
Feminino, Inocente
Que orgulho a mãe gentil
É na renda! É na palha
Que se veste uma nação
Pra ver a arte do barro ao barracão

